domingo, 18 de dezembro de 2011

Arte em pneus na DF-180

Passando pela DF-180, que liga o Gama/DF à BR-060 (via Embrapa Hortaliças), tenho a grata surpresa de ver, à beira da pista, vasos, bacia e lixeiras; jogos de poltronas, cadeiras e mesinhas; uma armação de feira com inúmeros pares de chinelos, tudo feito de pneu. De longe, uma barraquinha coberta de plástico azul e ornada com pilhas de pneus, parece uma borracharia de beira de estrada. Mas as artes chamam a atenção dos passantes que param. E eu paro! Com emoção de criança arteira, toco as peças, suspendo para sentir o peso, analiso as emendas. Fico encantada até pela coincidência do assunto: há poucas semanas eu havia pesquisado e comentado exatamente sobre as artes em pneu.



Um jovem senhor se aproxima e trato logo de puxar assunto "o senhor aproveita as hora vagas da borracharia para fazer artes?", e a resposta acompanhada de um simpático sorriso, "aqui não é borracharia, não senhora. Aqui é onde eu faço só as artes mesmo". Uauuu! Um ateliê no meio do cerrado! O moço é seu Zezinho, artesão de vários ofícios e ampla experiência em feiras de artesanato deste nosso Brasil. Conta belas história sobre as feiras de Goiânia (êêê Goiânia!) e de sua curiosidade e vontade em aprender o segredo das "bolonas" de Natal feitas com garrafas Pet, que viu em Alexânia-GO, "olhei, mexi, estudei aquele negócio, achei que saberia fazer quando chegasse em casa mas, não deu certo.", confidencia em tom frustrado.



Seu Zezinho não viu o post do Peguei na Rede, sobre pneus. Aliás, rede ele conhece algumas que aprendeu trançar. E aproveito para difundir os meus parcos conhecimentos adquiridos em minhas pesquisas. Falo de algumas ideias e modelos que vi na internet como o vaso taça que aproveita pneu e roda, a cascata em pirâmide, a floreira bacia com fundo trançado, os pufes... E seu Zezinho escuta atentamente, pega um pneu para eu demonstrar os supostos cortes "o senhor corta aqui... corta ali... aqui vira... aqui dobra..." (dizem que quem sabe faz, quem não sabe ensina...rsrsrs). Ele demonstra interesse pelas novas ideias e me leva para conhecer a máquina onde, cuidadosamente, corta os pneus. Uma serra circular de 4HPs numa bancada. Comento sobre a indicação do uso da serra tico-tico e ele alerta, "dona, essa tico-tico não dá certo não! É muito perigoso. O pneu é muito duro e pesado. Por causa dos arames a serra prende e qualquer movimento errado, pode escapulir e provocar um acidente sério. Usando essa serra potente às vezes o disco para de rodar...", ficadica do seu Zezinho.



Mesmo sendo um produto final, literalmente de peso, Seu Zezinho não reclama das vendas. "Bacias viram canteiros e hortas, lixeiras podem ser vasos ou proteção para árvores de chão. A maioria dos jogos de poltronas e mesinha vai para empresas. As pessoas gostam da ideia do reaproveitamento. É durável e ecológico! Reciclar é coisa fina e tá na moda.", diz Seu Zezinho com outro simpático sorriso.


 Agora só me falta conhecer o Donizete, um artista da madeira, que trabalha ao lado do Seu Zezinho, e que por estes dias está em casa se recuperando de um acidente. De acordo com Seu Zezinho, Donizete está bem e em breve dará o ar-da-graça na produção dos móveis rústicos, que é o quê gosta de fazer e faz bem. Volte logo Donizete!





3 comentários:

Nanda Assis disse...

lindas artes.

bjos...

João Paulo Lima disse...

muito legal.. pesquisando no google achei teu blog.. não era nada do que eu procurava mas foi impossível sair dele... muito bom! já estou seguindo!

Abraços
vaolivre.blogspot.com

Maria Oliveira FazendoArte disse...

admiro muito esta arte em pneus!
qualquer dia me atrevo a tentar algo
é lindo!
:)