
Balão gigante feito com jornal - papietagem e papel machê
Genteinn! Às vezes me bate aquela invejazinha da Amélia. Ainda que eu não concorde que ela é que "era a mulher de verdade" mas, esse mundo louco de vida corrida que vivemos me dá a impressão de que a Amélia é quem sabia viver... e bem!
Amélia levantava cedo e colocava a thurma de pé. Enquanto isso passava o cafezinho no coador de meia... hihihi..., tirava o bolo fresquinho do forno, arrumava a merenda escolar das crianças: num guardanapo de tecido (lavado e passado por ela) embrulhava um pãozinho-com-manteiga e queijo fresco, misturava leite com chocolate na garrafinha e acomodava nas lancheiras com um pequeno agrado, ora uma fruta ora um sonho de valsa. Pronto! Sentava-se à mesa com a thurminha sonolenta, fazia as recomendações matinais, inspecionava cabelos, uniformes e bolsas. Dava um beijo em cada um e despachava-os para o início do dia.
Como herança, continuamos a levantar cedo e acordando a thurminha. E só! Porque aí vem o mundo da mulher que despreza a Amélia. Corremos até a cozinha, colocamos água no fogo (quando não ligamos a cafeteira), corremos até o banheiro para iniciar a matinal sessão besuntamento de cara, colo, braços, pernas... Pedimos, ao que chegar primeiro à cozinha, que termine de passar o café enquanto tentamos domar as rebeldes madeixas. Alguém grita pelo pão, e no meio da batalha com a cafuringa, respondemos "tem pão hoje não, mas tem bolo de frutas lá do Carrefour, tira da embalagem!". Enquanto nos jogamos dentro do guarda-roupa à procura do que vestir, o carro escolar buzina na porta, aí nos lembramos que a molecada tem que lanchar. Corremos, com um pé no salto e o outro ainda na pantufa, até a bolsa. Distribuimos uns trocados para que os tchutchucos comam qualquer coisa na escola. Mas com a devida recomendação, para "insustentável leveza" da nossa consciência: não comam frituras! E menino sabe lá o que é fritura? Eles sabem bem o que é gostoso.
Um beijo por atacado e lá vamos nós começar mais um dia.
Tá bom! Reconheço que viajei. Mas, fiz esse coments porque tenho uma leve impressão de que no mundo da Amélia não tinha o consumismo desenfreado que hoje nos obriga a produzir pilhas e pilhas de lixo. Olhando para o mundo-Amélia, me lembro que o lixeiro passava dia sim e dia não. E no dia de coleta, muitas casas exibiam uma lixeira feita de pneu, pintada de azul com a palavra LIXO em amarelo-ouro. As lixeiras tinham capacidade para uns 20 litros, e ficavam muito pesadas quando cheias de lixo bruto, sem as sessões sacolinhas plásticas. O caminhão passava, os garis despejavam o lixo e jogavam as lixeiras de volta na rua, em qualquer porta (cansei de correr atrás da nossa). Quem usava lata de tinta, de vez em quando ficava sem lixeira. Por causa dos maus tratos, as coitadinhas ficavam tão amassadas que os garis as jogavam com lixo e tudo no caminhão e iam ambora.
Hoje o lixeiro passa todo dia e não raro tem um enorme saco plástico, cheio, em cada porta. Se continuarmos nesse ritmo, logo logo reivindicaremos que o serviço de coleta passe duas vezes ao dia. Como trabalhamos muito e dormimos cada vez menos, durante a noite, mesmo abundados no PC, ainda desocupamos descartáveis. Enquanto atualizo meu blog com este post a movimentação da casa produziu um pequeno "lixo" com 2 garrafas pet, 2 embalagens grandes de pizza (uma portuguesa e outra de banana com canela...hummmm). Sem falar no filtro do cafezinho das 18h, nos potes de iogurte em cima da pia, uma caixa longa-vida do leite que acabou e a lata vazia do leite de soja do JG.
Enquanto isso, o mundo que deixarei para JG, implora para que eu reveja, reaproveite e recicle o meu papel, ainda nesta vida.
Bandeja - Trabalho feito com tampa de pizza , jornal, papel toalha, anilina, e decupagem.
Técnica: Papietagem da Soni'ArtesHoje é um dia especial para o mundo virtual, um dia de chamado à consciência pela erradicação da pobreza. Por enxergar que as montanhas de lixo crescem proporcionalmente à pobreza, escolhi a técnica mais simples, mais fácil, mais rápida para o reaproveitamento do papel: a PAPIETAGEM ou papelagem, que pode ser com filtros de café, papéis de presente, com o jornal diário e até com os já raros papéis de pão.
Não digo aqui que o hábito de fazer e usar artigos produzidos de reaproveitamento seja "coisa de pobre", como já tive o desprazer de ouvir alguns menos abastados de ideias e espírito, se referir. Muito pelo contrário. O reaproveitamento é necessário para não ficarmos pobres. Assim, até nos sobrará mais dindin para outros prazeres.
Fui lá no
Recicloteca e trouxe o texto explicativo e o passo-a-passo (abaixo). As fotos (espalhadas pelo post) vieram da
Soni'Artes e da
Diz a lenda que...Bonecas de papel:

Foto: Papietagem em embalagens de pizza. Acabamento: pintura e decoupagem com guardanapos - Soni'Artes
A papietagem é uma ramificação do papel machê e consiste em colar papel sobre papel. O papel deve ser rasgado em pequenos pedaços. Sem uso de tesoura para a melhor junção das fibras.
Qualquer objeto pode ser usado como forma, ou podemos fazer de papelão, plástico, madeira e até bexiga de gás. Mas atente para utensílios com poucos relevos e reentrâncias para facilitar na remoção da colagem depois de seca.
Para objetos pequenos procure trabalhar com papéis finos, mais leves, de menor gramatura. E deixe os papéis mais grossos para objetos maiores, que surportem mais peso e volume.
Podemos fazer a papietagem com filtros de café usados, depois de usá-los, ainda com a borra do café, deixe-os secar. Depois de bem secos, retire o excesso do pó usado. Rasgue pedaços do filtro e vá colando, sobreponha partes claras e escuras. Depois que a peça estiver bem seca passe uma demão de verniz fosco ou brilho, conforme a preferência.
Use cola branca (rótulo azul) para aplicar camadas de papel fino. Para camadas de papel grosso, prefira a cola caseira, com consistência de mingau.
Receita da cola caseira: 1 colher de sopa de farinha de trigo; 1 xícara de chá de água; Leve ao fogo mexendo sempre, depois de cozida pode-se acrescentar gotas de formol, vinagre ou Pinho Sol para maior durabilidade do preparado.
Foto: reaproveitamento de papéis. Técnica: Papietagem em embalagens de pizza - Soni'Artes
OFICINA DE PAPELAGEM
Material:
- Jornal
- papel de seda ou de embrulho de pão
- bacia sem reentrâncias e curvas
- vaselina cremosa
- cola branca ou goma de qualquer tipo
- pincel
- papel de presente
- tinta acrilex para artesanato
Etapas:
1. Passe vaselina por dentro da bacia.
2. Corte o jornal em tiras.
3. Cole as tiras na bacia até completar sete camadas.
4. Cole tiras de papel de seda ou de pão por cima para dar o acabamento.
5. Deixe secar completamente. Retire a peça girando e puxando.
Efeitos decorativos: pinte ou cole papel de presente.
Variação: 0 mesmo processo pode ser feito passando a vaselina e colando o papel por fora da vasilha.
Trabalho com bandeja de isopor retangular, jornal, papel toalha, tinta acrilica e detalhe de folha pintado a mão. Técnica: Papietagem - Soni'Artes